Fado Menor do Porto

Olá boa noite, cá estou eu de novo, com mais um fado. Estive tanto tempo afastado deste blogue, por razões profissionais, que estava a ser urgente uma actualização. Ainda tenho muito pouco tempo, por isso vou desrespeitar a ordem que eu tinha estabelecido e vou publicar um fado que já conhecia e não precisei agora de estudar. É um dos fados que mais gosto de tocar, por ser (na minha opinião) um dos mais lindos do nosso repertório nacional. Trata-se de um fado menor um pouco mais complexo que o fado menor: fado menor do Porto. Os acordes são simples, mas os principiantes (e os que não estão habituados, de uma forma geral) rapidamente vão descobrir que a execução desta peça requer uma certa dose de paciência e… de músculos na mão esquerda.

Este fado é a base musical de várias letras famosas, como Não é desgraça ser pobre (Amália Rodrigues) e Quando Amália acontece (Carlos Zel).

Já que temos ao nosso dispor um vídeo que permite ver (de vez em quando) a execução dos acordes de viola, vamos aproveitar esta versão, cantada por Camané, com Carlos Manuel Proença à viola, no filme de Carlos Saura, Fados (que de fados, na verdade, tem pouca coisa, mas seria um debate para abrir noutra ocasião.) A vantagem desta versão em relação à versão de Carlos Zel (de que gosto ainda mais) é que a execução, aqui, é mais moderna e nos permite, portanto, aprender outras formas de tocar, como este misto de arpégio que vamos ver.

É provável que eu faça um vídeo sobre este fado, precisamente, porque os esquemas aí em baixo não me parecem muito fáceis de entender, com tanto arpégio e misturas de arpégio e não-arpégio. Se houver alguma coisa que não entendem mesmo, não hesitem em dizer-me.

Aqui vai o vídeo:

Apontamentos prévios:

  • O acorde de G#7 pode ser substituído, ocasionalmente, por outros três: um acorde de G#, que fica na mesma tonalidade, um acorde de G#° [433433], que dá uma tonalidade mais grave, resignada, à música, e também um acorde de AbM7b5 [4x553x], deslocando apenas o dedo médio e deixando os restantes dedos na posição original do Cm, que traz uma dissonância um pouco jazzy, uma técnica cada vez mais usada nos fados modernos ou modernizados. (Cada um fará ao seu gosto.)
  • O acorde de Cadd9 é este : [x23030]. [Assinalaram-me que este não se chama Cadd9. De facto, não é. Ainda não percebi qual seria o nome deste acorde, vou investigar.] Pode ser substituído de vez em quando por Bdim [x2313x] ou ainda Cbdim [x2343x]. Neste caso, a posição dos dedos deve ser diferente: no Cadd9 e no Cbdim, o dedo indicador é que ocupa o espaço da corda de Lá ; no acorde de Bdim, o indicador põe-se na corda de Sol.

Nota habitual :
São assinalados (entre parênteses) por a, b, c, etc., os esquemas de transição mais comuns. Esses esquemas são representados mais abaixo neste artigo (clique na imagem para ampliar). Quando várias letras aparecem, “(a,b)” por exemplo, significa que o tocador pode utilizar qualquer uma das passagens (a) e (b). Agradeço todos os comentários e correcções: lembro que sou apenas um amador que toca fado para divertimento pessoal.

Intro: (ver mais abaixo a tablatura da introdução completa)

A#7 – G#7 – G7 – Cadd9 – Cm – A#7 – G#7 – G7 – Cadd9 – Cm

Cm (b)       G#7   G7
Sopra demais o vento
.                Cadd9        Cm
Para eu poder descansar
Cm (b)     G#7      G7 (c, d, f)
Sopra demais o vento
Fm (e)        G7            Cm
Para eu poder descansar
A#7        G#7           G7
Há no meu pensamento
.                Cadd9              Cm
Qualquer coisa que vai parar
A#7        G#7           G7
Há no meu pensamento
.                Cadd9                Cm
Qualquer coisa que vai parar

Talvez esta coisa da alma
Que acha real a vida
Talvez esta coisa da alma
Que acha real a vida
Talvez esta coisa calma
Que me faz a alma vivida
Talvez esta coisa calma
Que me faz a alma vivida

Sopra um vento excessivo
Tenho medo de pensar
Sopra um vento excessivo
Tenho medo de pensar
O meu mistério eu avivo
Se me perco a meditar
O meu mistério eu avivo
Se me perco a meditar

Vento que passa e esquece
Poeira que se ergue e cai
Vento que passa e esquece
Poeira que se ergue e cai
Ai de mim se eu pudesse
Saber o que em mim vai!
Ai de mim se eu pudesse
Saber o que em mim vai!

Esquemas de transição (clique nas imagens para ampliar)

Intro:

Esta entrada foi publicada em O Fado de Lisboa. ligação permanente.

3 respostas a Fado Menor do Porto

  1. armenio diz:

    ola bon dia , eu sou novo aqui neste site isto é exelente o que é pena nao ter os acordes para a guitarra portuguesa de fado “ou entao nao comprendo bem” se por acaso poder ser , eu queria saber como se toca o fado menor do porto , e outros
    obriogado desde ja
    abraço

    • Para se acompanhar na GPL – Guitarra Portuguesa de Lisboa, os acordes são os mesmos aqui mencionados para a VF – Viola de Fado. A sua estrutura tem que ser consultada num prontuário de acordes pois a afinação da GPL é 6ª[D_A_B_E_A_B]1ª, diferente da VF.
      Recorrendo à aplicação Guitar Pro e criando a afinação da GPL, é possível aceder a uma base de dados com todos os acordes da GPL.

  2. O acorde aqui designado por Cadd9 que tem a estrutura [X32030] não se enquadra na harmonia desta música.
    Na minha interpretação na Viola de Fado o acorde que melhor se ajusta é um G7, Sol maior com sétima dominante, que tem uma estrutura [X23033], passando de seguida para Cm com a estrutura [X31043] ou com [X35543].

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