Fado Loucura

Este é um dos mais célebres do repertório do fado : o Fado Loucura, (música Júlio de Sousa) é muitas vezes interpretado com a letra “Sou do fado” (Ana Moura, Carlos Zel, Carlos do Carmo são apenas exemplos). Contudo, vamos utilizar a letra e a interpretação de um dos fadistas que me deixa mais saudades : Belos Tempos, da autoria de Fernando Farinha.

Pode encontrar mais informações acerca do Fado Loucura no blogue Fado Cravo.

Aqui vai o vídeo :

Apontamentos prévios:

  • Neste fado, podemos executar o acorde de Bbm de duas formas diferentes : (1)13321 ou 688666.
  • As passagens (e) e (f) são iguais : só dependem da forma como queremos executar o acorde de Bbm que antecede o acorde de Ebm.

Nota habitual :
São assinalados (entre parênteses) por a, b, c, etc., os esquemas de transição mais comuns. Esses esquemas são representados mais abaixo neste artigo (clique na imagem para ampliar). Quando várias letras aparecem, “(a,b)” por exemplo, significa que o tocador pode utilizar qualquer uma das passagens (a) e (b). Agradeço todos os comentários e correcções: lembro que sou apenas um amador que toca fado para divertimento pessoal.

Introdução : Ebm (a) Bbm – F (b) Bbm

F          Bbm       (c)          F
Belos tempos, que eu vivi
Com oito anos de idade
.                            (d)   Bbm
Quando no fado apareci
F         Bbm          (c)      F
Ambição, sonho querido
Em que eu fiz desta canção
.                          (d)        Bbm
O meu brinquedo preferido
.   (e,f)              Ebm
De muito novo
.                                Bbm
Assentei praça no fado
.                        (c)     F
E com as praças antigas
.                              Bbm
Aprendi a ser soldado
.      (g)      Ebm
Passei a pronto
.                        (a)      Bbm
Fiz do fado a minha luta
.                                 F
E agora tenho saudade
.                                Bbm
De quando era recruta

Belos tempos, quem me dera
Voltar à velha unidade
Do retiro da severa
Ter ainda, o carinho
Desse grande comandante
Que se chamava armandinho
Ver novamente, cantadores e cantadeiras
Naquele grupo valente
Que deu brado nas fileiras
E ouvir também
Alguém chamar na parada
Pelo “miúdo da bica”
E eu responder à chamada

Esquemas de transição (clique nas imagens para ampliar)

Fado Loucura (a-d)

Fado Loucura (e-g)

Esta entrada foi publicada em O Fado de Lisboa. ligação permanente.

5 respostas a Fado Loucura

  1. Fadista diz:

    Se quiser, tem aqui alguma informação sobre este fado
    http://fadocravo.blogspot.com/search/label/Fado%20Loucura
    A música deste fado, bem como a letra original, são da autoria de JÚLIO DE SOUSA.
    Cumpts
    O.

  2. Obrigado por estas indicações. Já actualizei este artigo e assinalei o link do seu artigo sobre o Fado Loucura.
    Cumprimentos

  3. Igor Sá diz:

    Olá amigo Miguel!! Gosto mesmo deste teu blogue e mais uma vez parabéns pelo óptimo trabalho!
    Não conheço escalas nem sei ler pautas mas por carolice não largo a viola à 3 anos! O meu hobby tem sido estudar estes fados, as transições e treinar os acordes que eu normalmente evitava, por haver maneiras mais fáceis de os fazer. O que me leva a ter algumas duvidas🙂

    Se tocar um qualquer acorde, por exemplo um Sol: quer seja feito com o dedilhado a alternar entre Sol Si ou Sol Ré nos bordões, eu tocava sempre 1º a tónica do acorde ou seja, a nota de Sol, mas estou a ver que isso não é regra nem se aplica no fado. E, já agora a corda mi aguda quase não é utilizada! Porque?

    Há tantos fados que gostava de te pedir para colocares aqui!! A Bia da Mouraria, O fado da Procura, O fado da Trigueirinha, Caso arrumado da Ana Moura, A minha rua do Camané … provavelmente também devia ouvir mais fados para identificar melhor os estilos de cada um! Não existe nenhum site com uma listagem de fados “letras diferentes” dentro de cada estilo, pois não?
    Depois de um bocado pensar num Fado para te pedir, escolhi um estilo diferente dos que já partilhas-te, um Fado Lopes, que imagino que deva ser dificil: o Fado de Alfama “Alfama mal afamada”🙂

    Despeço-me com os melhores cumprimentos
    Igor Sá

  4. Olá Igor,

    Mais uma vez obrigado pelo comentário.

    Relativamente à corda de mi aguda, utiliza-se de vez em quando, só não sei é o porquê deste “quando”, se é que me faço entender. Mas há pelo menos uma razão no caso dos acordes ditos “abertos”, como o Am [x02210] ou E7 [022140] por exemplo : quando precisamos de tocar com as cordas abafadas (isso é, bloqueando as cordas ao levantar ligeiramente a mão esquerda para que elas parem de vibrar), não há maneira de mandar parar a corda de mi aguda porque nenhum dedo está em cima dela. (Na verdade, existe uma maneira, qualquer dia faço um vídeo para me explicar melhor.)

    Quanto à lista de letras que se aplicaram a estilos, também já procurei sem nunca encontrar, e faz parte do meu projecto, mas a longo prazo, por isso é que faço questão de mencionar as várias letras que existem para cada fado aqui estudado. O que há são referências no meio dos textos, por exemplo no excelente livro de Daniel Gouveia, “Ao fado tudo se canta”, que adquiri no Museu do Fado em Lisboa, mas que não tenho ao meu alcance neste momento.

    Os teus pedidos são óptimos (mas muitos ; ou então muitos… mas óptimos). Vamos por partes : vou tratar do Fado Lopes, que não é assim tão difícil quanto parece.

    Um abraço

  5. Ola a todos este é o melhor blog dedicado ao fado na vertente mais esquecidaque a viola de fado.
    PARABÉNS e muito obrigado

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